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quarta-feira, 4 de maio de 2016

DILMA DESCARTA RENÚNCIA. TEMER NADA MAIS TEM A TEMER.

A presidente Dilma Rousseff negou nesta 3ª feira (3) que pretenda renunciar, repetindo o besteirol de sempre: que a renúncia interessaria apenas àqueles que defendem seu afastamento, que a democracia brasileira "sofre um assalto", etc. Eis duas frase completas, as outras são mais do mesmo:
"Muitas vezes, não foi uma, nem duas, eles pediram que eu renunciasse, porque se eu renunciar se esconde para debaixo do tapete esse impeachment sem base legal, portanto, esse golpe. 
É extremamente confortável para os golpistas que a vítima desapareça, que a injustiça não seja visível. Pois eu quero dizer para vocês: a injustiça vai continuar visível, bem visível".
Noves fora, o que realmente importa é: graças à constrangedora miopia política e a total falta de grandeza de Dilma, estamos definitivamente condenados a passar os próximos 32 meses governados por Michel Temer (só ingênuos supõem que ela possa retornar ao poder ao final do processo de impeachment). Pobres de nós!

A renúncia, Dilma saberia se tivesse a mais remota noção do que está acontecendo neste país, interessa apenas e tão somente àqueles que estamos dispostos a travar uma luta desesperada para que haja uma nova eleição presidencial. Pois, começando tão tarde tal mobilização, nossa única chance seria obtermos o apoio integral e irrestrito de todas as forças políticas que querem bloquear Temer.

Mas, se o próprio PT entraria dividido nessa parada (pois ainda estaria sonhando com salvar o mandato de Dilma quando, no 4º trimestre, o Senado deliberar sobre a perda definitiva ou não do dito cujo), qual é a chance de formarmos tal frente com uma mínima possibilidade de êxito? Nenhuma!

Então, sem a renúncia, de nada adianta mandar a PEC da nova diretas já para o Congresso, pois cairá no vazio. Vai ser apenas mais jogo de cena, para dar a impressão de que está resistindo enquanto promove o enterro da nossa última quimera.

Outra coisa: os que querem o afastamento de Dilma não estão nem aí para ela renunciar ou não. Já venceram em toda linha e agora estão se deliciando com o espetáculo. Provavelmente, preferirão vê-la humilhada e escorraçada, protagonizando ao vivo e em cores sua derrota acachapante e se avacalhando com a monocórdia repetição do seu único e falacioso refrão: "é golpe!", "é golpe", "é golpe!".

E quem vai desaparecer não é vítima nenhuma, mas, apenas, uma presidente que se elegeu pela esquerda e governou para a direita, acabando por decepcionar uns por abandonar suas mais sagradas bandeiras e outros por não haver tido competência sequer para entregar-lhes o que prometeu (o ajuste fiscal de odiosas características neoliberais).

Ela se proclama vítima, mas as verdadeiras vítimas são os 11 milhões de desempregados e todos os brasileiros que comem o pão que o diabo amassou sob a pior recessão que este país já conheceu.

Enquanto chora suas mágoas por estar sendo afastada de um cargo que há 16 meses não conseguia verdadeiramente exercer, nenhuma palavra diz sobre os trabalhadores, os explorados, os excluídos, os coitadezas. Era para eles que deveria governar. Mas, com suas estrepolias econômicas, conduziu-os ao inferno.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A MANCHETE QUE JÁ ESTÁ ESCRITA: 10 MILHÕES DE DESEMPREGADOS NO BRASIL!

Em 1933, no auge da Grande Depressão, um quarto de toda a força de trabalho estadunidense estava desempregada. Dos que não foram para a rua da amargura, 30% aceitaram reduções em seus salários.

Aqui e agora, evidentemente, a coisa ainda não está tão ruim, mas é chocante sabermos que os desempregados, depois de se manterem na casa de 6,6 milhões no período 2012/2014, deram um salto para 9,1 milhões em 2015.

Isto levando-se em conta o nível de emprego apurado no trimestre agosto-setembro-outubro do ano passado. Os prognósticos dos economistas são de que, se em novembro-dezembro-janeiro não for alcançado o patamar altamente simbólico de 10 milhões de desempregados, pouco ficará faltando. E não existirá medida nenhuma no mundo capaz de evitar que seja atingido logo no trimestre seguinte.

Mesmo porque a saída de situação tão crítica não se dará apenas com iniciativas na área econômica. Será necessário o restabelecimento da confiança dos agentes econômicos no timoneiro da nau Brasil.

A presidente Dilma Rousseff perdeu a credibilidade ao prometer o que não pretendia entregar em 2014 e nem que a vaca tussa a recuperará em meio à recessão. Vai continuar sendo vista, pela grande maioria dos brasileiros, como a mãe da penúria atual e o primeiro obstáculo a ser removido para o País sair do fundo do poço.

E, enquanto não se desatar o nó político, os grandes capitalistas continuarão jogando na retranca, adiando investimentos e enxugando custos, pois lhes importa mais não sofrerem perdas mínimas do que muitos brasileiros estarem perdendo tudo que têm.

A pregação de Marina Silva, anti-impeachmet e pró-cassação da chapa presidencial pelo TSE, é obviamente interesseira, pois a convocação de uma nova eleição nos próximos meses pode dar-lhe a vitória que só o jogo sujo do PT evitou em 2014, ao recorrer à mais agressiva e falaciosa campanha de satanização de todas as nossas eleições presidenciais.

Mas, isto não impede de ser a melhor saída do labirinto em que nos encontramos e até um caso em que a Justiça Eleitoral escreveria certo por linhas tortas (pois o estelionato eleitoral é motivo imensamente mais grave para a anulação do resultado das urnas do que todos os alegados pelos oposicionistas). As leis brasileiras são patéticas, atêm-se ao secundário e não punem quem faz campanha prometendo exatamente o contrário do que já decidiu fazer, o que se constitui na própria negação da democracia!

Vale repetir: a campanha à moda do Goebbels da Dilma, tornando legal mas extremamente ilegítima sua reeleição, foi a principal causa do ano político catastrófico de 2015, muito mais do que os efeitos da Operação Lava-Jato. O povo não é bobo, percebeu ter sido vítima de uma vigarice eleitoral e não se conforma. Quem será insensível a ponto de negar-lhe tal direito?   

E é porque o poder está suspenso no vácuo que temos de devolvê-lo à sua fonte, o povo. Dar-lhe a oportunidade de indicar uma saída, já que os poderosos se mostram impotentes para tanto: não se entendem e, com suas disputas mesquinhas e canibalescas, estão nos conduzindo para o imponderável.

Dez milhões de desempregados num país cujo povo é muito pobre (nunca deixou de sê-lo apesar da propagandaiada ufanista, está aí o IDH sofrível que não me deixa mentir), significam miséria, desespero e morte nas periferias, grotões e quebradas do mundaréu. Quem será insensível a ponto de não se comover? 

Dilma significa um, um mandato a que se apega com unhas e dentes, sem jamais mostrar competência para exercê-lo nem humildade para reconhecer que cometeu erros crassos na gestão anterior e agora os está cometendo piores ainda, ao insistir em impor-nos o receituário econômico da direita apesar de ter sido eleita pela esquerda. Como ela se tornou tão insensível a ponto de não renunciar?

Dois milhões e meio de desempegados adicionais só no ano passado é um número bem maior do que um. Mexe muito mais com meus sentimentos e convicções. 

É pelos 2,5 milhões (e pelos que a eles se somarão) que choro. São eles que me inspiram a pregar, por enquanto no deserto, no sentido de que a esquerda recoloque a solidariedade para com os explorados no centro de suas preocupações.

Estar ao lado dos que vivem nas favelas, cortiços e casebres é muito mais importante para revolucionários do que desfrutar das mordomias dos palácios.

E gerenciar o capitalismo para os capitalistas não nos aproxima um milímetro sequer da revolução.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

DILMA E O DILÚVIO

Dilma não pede mais a benção do padrinho ... 
Na semana passada, o que há de mais representativo e influente no PT fritou Joaquim Levy como nunca. Ainda assim, Dilma Rousseff declarou que o manterá como ministro da Fazenda. Por quê?

Porque os interesses do partido e da presidenta são conflitantes neste momento.

Como o Juquinha que só pensava em sexo, a Dilma só pensa em evitar o impeachment. Seu ego descomunal impregna cada decisão que toma. Pactuará com o pior demônio do inferno, se for necessário. Mas não admite a perspectiva sair do Palácio do Planalto pela porta dos fundos.

Então, com a popularidade no fundo do poço e cada vez mais mal amada pela esquerda, agarra-se como uma náufraga na única boia que julga poder salvá-la: o grande capital.

Foram os endinheirados que exigiram o arrocho fiscal e Dilma teme que, expelido Levy, parte deles cerre fileiras com a oposição e a outra parte apenas assista ao espetáculo, não movendo uma palha para evitar o impedimento presidencial. Então, ela bate o pé: que fique Levy e que se dane o povo brasileiro! 

Pois a recessão não cessará de agravar-se enquanto não for retirado o bode da sala... quer dizer, do governo. Um milhão de coitadezas foram para a rua da amargura. Quantos mais terão de pagar pela irredutibilidade da Dilma?
...e desautorizou publicamente Rui Falcão.

Já o Lula e o Rui Falcão, ao abrirem o jogo (e o fogo) contra Levy, priorizam a sobrevivência do PT, pois a recessão o está destruindo. Quanto mais tempo persistir a indefinição atual, maior será o estrago. 

Ser identificado pelos trabalhadores como o partido responsável pela pior penúria das últimas décadas deverá causar verdadeiros desastres eleitorais. A perda da hegemonia nas ruas foi só um trailer do que está para vir.

Então, os grãos petistas estão fazendo pressão máxima para que a Dilma desista da guinada à direita e reassuma as bandeiras históricas do partido, mesmo que isto venha a ser a gota d'água para o impeachment.

E a presidenta a eles resiste porque coloca sua autoimagem acima do País, do partido, do seu ídolo de ontem e do seu padrinho de hoje, dos ideais que longinquamente a levaram a pegar em armas, dos clássicos marxistas que leu e esqueceu, das agruras dos desempregados e do desespero dos miseráveis, acima até de Deus (caso nele acredite). 

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